Timoneiro (Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho)

Não sou eu quem me navega,
Quem me navega é o mar.
Não sou eu quem me navega,
Quem me navega é o mar.
É ele quem me carrega
Como nem fosse levar…
É ele quem me carrega
Como nem fosse levar…

E quanto mais remo mais rezo,
Pra nunca mais se acabar
Essa viagem que faz
O mar em torno do mar.
Meu velho um dia falou,
Com seu jeito de avisar:
– Olha, o mar não tem cabelos
Que a gente possa agarrar…

Não sou eu quem me navega,
Quem me navega é o mar.
Não sou eu quem me navega,
Quem me navega é o mar.
É ele quem me carrega
Como nem fosse levar…
É ele quem me carrega
Como nem fosse levar…

Timoneiro nunca fui,
Que eu não sou de velejar.
O leme da minha vida
Deus é quem faz governar.
E quando alguém me pergunta
Como se faz pra nadar,
Explico que eu não navego –
Quem me navega é o mar.

Não sou eu quem me navega,
Quem me navega é o mar.
Não sou eu quem me navega,
Quem me navega é o mar.
É ele quem me carrega
Como nem fosse levar…
É ele quem me carrega
Como nem fosse levar…

A rede do meu destino
Parece a de um pescador-
Quando retorna vazia,
Vem carregada de dor.
Vivo num redemoinho,
Deus bem sabe o que Ele faz.
A onda que me carrega,
Ela mesma é quem me traz.

Não sou eu quem me navega,
Quem me navega é o mar.
Não sou eu quem me navega,
Quem me navega é o mar.
É ele quem me carrega
Como nem fosse levar…
É ele quem me carrega
Como nem fosse levar…

1 Comment

Filed under Hermínio Bello de Carvalho, Music, Paulinho da Viola, Samba, Timoneiro, YouTube

One response to “Timoneiro (Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho)

  1. Anonymous

    foi uma vez apenas
    num delírio, 40º C
    e eu a me debater

    sonhei com um chão falso
    um salto que eu daria
    levaria não sei onde

    só sei que caí
    e fui longe
    a me debater

    sem ao menos saber
    onde me levava o precipício
    acordei do delírio

    estava machucado
    do sangue que pouco saiu
    das pernas inquietas

    e esse chão que me acompanha
    parece pronto a sumir novamente
    esvair como tudo que é sólido

    um chão que não me aguenta
    me sustenta como um traste
    e está sempre um passo à frente

    oferece estrada pra seguir
    mas não indica o caminho
    pra nós, eu e os estragos da noite

    pra quem tem sede de fé
    bolhas do pé desenham o corpo
    muito vivo, pouco a pouco

    e um novo jogo se apresenta
    como num boliche humano
    a bola desliza até os pinos

    cai não fica tudo
    melhor escrever
    e virar mudo

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s