Hematófago – Marcelo Labes

atgaaaawouvk1ywresq_mde0vkvo1oljl3uiefqo4hh1dfh0-d6hkq0wvu2yl9n77v4dqyyqs8e1n-ebua9dxi4ntw86ajtu9vbsvqoo8n-kjkxrkijhzt8somclbq.jpgPobre coitado que vai todo sujo e fedido e com a cara de quem quer pão, vai pelo beco escuro ou a esquina vazia, mas não quer pão nem cama e esposa porque tem esposa cama e pão, então não pode ser mendigo que quer roubar já que tem cheia a carteira de dinheiro, mas parece um mendigo, um bandido a perseguir pelas frestas a moça que caminha não tranquilamente porque ninguém pode estar tranqüilo caminhando a essa hora da noite, ainda mais a mulher que se sente perseguida e logo é atacada e não tem como gritar porque a mão do sujeito já lhe tapa a boca enquanto a outra persegue a calcinha volumosa e arranca o absorvente sujo de sangue e é tanto sangue, meu deus!, que se lhe apertar com as mãos o sangue escorre pelos braços, e sai correndo desconcertado mas feliz e embriagado pelo desejo que lhe atormenta sair terça-feira à noite e roubar absorventes usados e chupá-los como se o sangue menstrual lhe trouxesse de volta o sabor que a vida deixou que se apagasse, amém.

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Filed under Hematófogo, Literature, Marcelo Labes, Poetry

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