Neruda

“Virás comigo”, disse sem que ninguém soubesse
onde e como pulsava meu estado doloroso
e para mim não havia cravo nem barcarola,
nada senão uma ferida pelo amor aberta.
Repeti: vem comigo, como se morresse,
E ninguém viu em minha boca a lua que sangrava,
Ninguém viu aquele sangue que subia ao silêncio.
Oh amor, agora esqueçamos a estrela com pontas!
Por isso quando ouvi tua voz repetia
“Virás comigo”, foi como se desatasses
dor, amor, a fúria do vinho encarnado
que de sua cantina submergida soubesse
e outra vez em minha boca senti um sabor de chama,
de sangue e cravos, de pedra e queimadura.

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Filed under Anguish, Literature, Neruda, Poetry

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