Notas de leitura: sonhando de olhos bem fechados

 Schnitzler, Arthur.   Breve romance de sonho.  São Paulo: Companhia das Letras, 2000. 121 p.

Sinopse: da Folha de S.Paulo

Tudo vai bem na vida do dr. Fridolin e de sua mulher, Albertine. Ambos são jovens, belos, prósperos e têm uma filhinha adorável. Pode-se dizer que, na Viena dos anos 1920, eles formam uma família burguesa exemplar.

Até que, numa noite, depois de um baile de máscaras e vários goles de champanhe, Albertine decide confessar ao marido uma antiga fantasia erótica. Perturbado pela história secreta de sua mulher, o dr. Fridolin sai no meio da noite para atender a um paciente em estado grave.

A partir desse momento, tudo o que parecia dar sustentação ao mundo das personagens começa a entrar numa espécie de vertigem. Rapidamente o dr. Fridolin se vê enredado numa estranha aventura sexual, em que o desejo e o perigo de morte se auto-alimentam. Ao final da narrativa, o leitor fica com a impressão de que a volta à “realidade de todos os dias” não será mais possível – não para as personagens que a vivenciaram.

Nesta pequena obra-prima de Arthur Schnitzler, as estruturas da vida psíquica e familiar são abaladas e expostas até os alicerces. Baseado nela, o cineasta norte-americano Stanley Kubrick fez, em 1999, seu filme de despedida: De Olhos Bem Fechados, com Tom Cruise e Nicole Kidman nos papéis principais.

Notas:

1. Tensão sexual presente nas primeiras linhas. Para o espanto do leitor, os negros e o príncipe, altamente erotizados, fazem parte de uma narrativa infantil. Conexão entre a sexualidade, tal como trabalhada por Freud e a sociedade vienense. Papel da sublimação.

2. Dois níveis de reconhecimento. Literário, imanente, Sociológico, transcendente. De um lado, trabalha-se diretamente com os personagens, vivendo tensões e separações (separados e unidos, dormindo lado a lado, porém, separados) e, de outro, o papel da sexualidade, repressões e tensões internas à Viena.

3. As senhas. De Fidélio – olhos bem fechados – para Dinamarca (há algo de podre… Hamlet, Shakespeare). As músicas. A modificação tonal da música no ‘ritual’.

4. Embora prenhes de sexualidade, de um lado, se tem o ciúme imaginário e o ciúme real: uma tensão entre o que de fato ocorre e o que se sonha. Imaginação e realidade. Fantasia -> alienação: espaço intermediário entre o real e o imaginário, espaço material, preenche um vazio de significado.

5. Relação com a psicologia freudiana. Estágios da formação do Eu. Instantes da alienação.

6. Conflito homem e mulher.

7. Papel da morte: funeral e necrotério. Tensões imaginárias. Funeral enquanto evento social. Morbidez exposta. Ironia quase sádica: aos pés do morto, declarações de amor desesperadas.

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Filed under Breve romance de um sonho, Literature, Philosophy, Psicology, Schnitzler

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