Category Archives: Adorno

Dialética aberta ou negação determinada? – Alessandro Belan

Dialética aberta ou negação determinada ?Discussão da dialética nos “Seminários da Escola de Frankfurt” – Alessandro Belan

1. Sentido das discussões de 1939 sobre ciência e dialética: o conceito de “teoria crítica”

Nos ano trinta, antes do exílio americano, Adorno trabalha na Metacrítica da Teoria do Conhecimento, enquanto Horkheimer publica uma série de ensaios na Revista do Instituto para Pesquisa Social que virão então a ser recolhidos no fim dos anos sessenta por Alfred Schmidt sob o título comum de Teoria Crítica.

Os Seminários da Escola de Frankfurt: protocolos de discussão [1] representam uma documentação fundamental do itinerário que leva dos primeiros escritos de Horkheimer sobre a gênese da filosofia burguesa da história até a Dialética do Iluminismo [ou Esclarecimento, N.d.T], no contexto de maturação de um conceito pós-metafísico de dialética. Os protocolos se referem a discussões acontecidas num período entre 1931 e 1946, e eles vão dos primeiros seminários sobre “ciência e crise” relacionados a cursos universitários mantidos por Horkheimer no semestre de 31-32 até as Diskussionens über eine geplante Schrift zur Dialektik [Discussões sobre um escrito planejado sobre dialética] (traduzido aqui como “Salvação do Iluminismo”, pp.174-183) de outubro de 1946. Este escrito deveria constituir a segunda parte da Dialektik der Aufklärung [Dialética do Iluminismo], mas não foi completado por falta de acordo, evidente no texto aqui proposto, sobre a função a atribuir à dialética. Os protocolos são os textos datilografados pela esposa (e secretária) de Adorno, Gretel. Não está excluída então a hipótese de Adorno ter tido a possibilidade de retomá-los futuramente. Continue reading

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Dialética do Esclarecimento

“O burguês que deixasse escapar um lucro pelo motivo kantiano do respeito à mera forma da lei não seria esclarecido, mas supersticioso – um tolo. A raiz do otimismo kantiano, segundo o qual o agir moral é racional mesmo quando a infâmia tem boas perspectivas, é o horror que inspira a regressão à barbárie” (Adorno e Horkheimer, p. 85)

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Teologia negativa e Theodor Adorno A secularização da mística na arte moderna – Eduardo Losso

A Tese analisa a relação da filosofia, especialmente a estética, de Adorno, com a teologia negativa e a mística. Essa relação não é de identificação nem de equivalência: Adorno resgata, com filtro crítico, a própria negatividade e a transformação secularizada da mística sem se ater a “relíquias teológicas”. Mas essa operação secularizadora descobre que a própria teologia negativa e a mística tradicional foram o efeito de um avanço emancipatório do esclarecimento. Desde o seu surgimento, e passando por diversas transformações históricas, a mística sempre esteve ligada a grandes questões existenciais da filosofia, além de apresentar relações intrínsecas com a experiência estética moderna. E é justamente para esta região que se encaminha o foco do trabalho: localizar a questão da teologia negativa e da mística na modernidade lá onde elas encontraram seu melhor refúgio profano: na obra de arte moderna; e pensar a maneira com que a teoria estética de Adorno contribui para entendermos o estatuto da negatividade teológica e da mística na arte moderna e contemporânea.

 

Download do texto aqui

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Objeções marxistas? Adorno e Benjamin na “encruzilhada de magia e positivismo” dos anos 30 – Marcos Nobre

No período que vai do final do ano de 1934 até 1940, a correspondência entre Adorno e Benjamin se intensifica sobremaneira. E, a considerarmos plausíveis as conjeturas de Habermas, isto não se deve apenas à dificuldade das circunstâncias, desde o exílio imposto pelo nazismo até as dificuldades econômicas daí decorrentes: “O leitor será testemunha de um processo estimulante da aproximação entre pessoas que dificilmente poderiam se aproximar de outra maneira senão por esse caminho literário mediado. A cada vez asseguram mutuamente os interlocutores o desejo do encontro pessoal e da conversa direta. Mas a série de visitas continuadamente adiadas e impedidas – Adorno fez apenas duas curtas viagens a Paris – espelha não somente a adversidade das circunstâncias; ela segreda também a preferência não confessada pelo desvio da expressão escrita. A coerção formal do medium epistolar – é a impressão que se tem – protege um Benjamin reservado das contingências e inconvenientes do contato imediato e, ao mesmo tempo, concede a um severo Adorno a liberdade maior da expressão crítica”1 (Habermas 6, p. 125). Continue reading

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DE HISTÓRIA E CONSCIÊNCIADE CLASSE A DIALÉTICA DO ESCLARECIMENTO, E VOLTA* – Slavoj Zizek

História e consciência de classe (

 

1923), de Georg Lukács, é um dos poucos verdadeiros eventos na história do marxismo. Hoje, nossa experiência do livro é apenas como de uma estranha lembrança fornecida por uma época já distante – para nós, é até mesmo difícil imaginar o impacto verdadeiramente traumático que seu aparecimento teve nas posteriores gerações de marxistas. O próprio Lukács, na sua fase termidoriana, i. e., do começo dos anos trinta em diante, tentou desesperadamente se afastar dele, tratando-o como um documento com mero interesse histórico. Continue reading

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”A filosofia muda o mundo ao manter-se como teoria” – Entrevista com Theodor Adorno

Download da entrevista: Aqui

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Theodor Adorno – Sobre Sujeito e Objeto

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Em se tratando de considerações sobre sujeito e objeto, a dificuldade consiste em indicar do que se deve propriamente falar. É notório que os termos são equívocos. Assim, sujeito pode referir-se tanto ao indivíduo particular [einzelne Individuum] quanto a determinações gerais; de acordo com os termos dos Prolegômenos kantianos, à consciência em geral. Continue reading

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