Category Archives: Anguish

Solidão do super-homem [sentimento compartilhado]

Loucura
Lou-cura
Lou diva

Salomés
Ruínas
do Batista
e do Anticristo
Precipício

Pressuposto
O suplício
Dionísio

Poeta
Verdade que afeta
Cárcere privado
De chagas per-furado
Sob o manto do profeta
Porta trancada
Teto que desce
A-perto que aquece

Dor que não esquece,
Inferno, as feras
Desarmonia das esferas

A bruma
Sem rumo
Nem eira
Poeira
À beira
do abismo

ab-surdo
ab-sinto

Sinto?
Santo?

Manto?
Minto?

-Unzuhause-

“Entra ano, sai ano, a falta de um amor humano verdadeiramente renovador e salutar, a solidão absurda que ela traz consigo a ponto de tornar quase todo vínculo remanescente com as pessoas uma causa de novas feridas: tudo isso é a pior coisa possível, e tem sua única justificativa em si mesmo, a justificativa de ser necessário”

NIETZSCHE
carta de 03 de fevereiro de 1888, meses antes do mergulho do filósofo na longa noite final na loucura

Carinhosametne roubado de http://unzuhause77.blogspot.com/

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Sonic Youth – Icinerate

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#10/7/2007

Dormir e acordar não tinham mais diferença. Sempre havia escutado histórias tenebrosas ou mesmo visto seriados de ficção científica ondeo dia e a noite, memória e esquecimento, sono e vigília confundiam-se. Na verdade, já tinha escolhido isto enquanto estádio alcoólico, acoolizado.

De modo diferente isto manifestava-se agora.

Não contava nem ousava dizer seus sonhos. Não ligava para sonhos. Mas sonhava. E eles eram, nada mais, nada mesnos que extensões da realidade: não se distinguiam mais dormir e acordar.

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#387410285

“Pega um fósforo e bota fogo em tudo”!

Afinal,
de que vale uma vida
sem incêndios?

Refratário
sigo por aí…

Guarda-chuva
idéias
e uma certa saudade.

Quem diria?
Ainda que não se queira
rotina também faz falta…

(mais do que se imagina,
permanece sem resposta)

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#743

Peguei
pela palavra
pé-de-vento
coisa e tal.

Que antes de sair correndo
meio fugidia
virou e disse
“bateu asas e voou”

Quem tropeça na vida
sabe
que pela letra
não se constroem frases.

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Prá suportar uma costela de Adão

Vem, vem
como um suspiro que, alegre, diz:
“oi!”
entusiasmado.

Te encaixa como Amante
deste Locatário
senhor do peso e da história do fracasso

Me ama como nunca amaste alguém
porque te amo como se não amasse ninguém.

Faz feliz, faz.
Alegre e triste, faz.
presente ou ausente,
faz…

Faz, como bicho carente
que, silenciosamente, se aquieta nos meus braços
no meu peito.

Faz!

 

“Pauca, sed bona”

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Leon

Leon:

Toda ação é passiva de justificação.

Não existe verdadeiro nem falso, eles são construções.

O jogo determina as regras: o jogo é particular.

A interpretação é sempre transcendente, mesmo quando visa a imanência.

A imanência é o jogo.

Mas, então, a determinação do justo é eminentemente humana, assim como do injusto: justiça e seu oposto estão no mundo como as palavras – criadas para conferir significado ao humano.

 

Visar fugir de toda condição de sentido, extrapolando ela é chegar na loucura. Leon atira-se, instante após outro, negando e afirmando seus instintos em um jogo que, a única regra é a negação: o que será negado amanhã?

O exercício filosófico, enquanto experimento mental, é carregado de toda confusão que se pode encontrar.

Pensar na transvaloração dos valores é, nesse sentido, algo a ser dito em palavras baixas, ao pé do ouvido – repetir a experiência de ultrapassagem do niilismo é caminho sem volta: Zaratustra à 6 mil pés de altura olha os homens.

Leon, que não subiu na montanha, não vive o eterno retorno: vive a eterna angústia de ser humano, demasiado humano (mesmo que em sua existência trágica porque nega sua finitude, seu tempo e, portanto, sua humanidade – homens que ousam ser deuses em um tempo sem heróis padecem da loucura).

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