Category Archives: Memory

A insustentável leveza do ser – Kundera

Capítulo 17

KunderaDesde o primeiro dia de ocupação que os aviões russos se cruzavam durante toda a noite no céu de Praga. Tomas desabituara-se do barulho e não conseguia adormecer.

Virava-se na cama, ao lado de Tereza já a dormir, pensando no que ela lhe dissera há vários anos no meio de uma conversa banal. Estavam a falar de Z., um amigo de Tomas, e Tereza declarara: ”Se não te tivesse encontrado, tinha me apaixonado por ele.” Continue reading

Advertisements

Leave a comment

Filed under A insustentável leveza do ser, Anguish, beethoven, Literature, Love, Memory, Milan Kundera, Quotes, the Unbearable Lightness of Being, Time

Memória e Cuidado

weathered-red-door.jpgSe cuido de algo ou de alguém, lembro disso que cuido. Mas, se lembro de algo ou alguém, isso não quer dizer que cuido disso, pois posso lembrar até do que gostaria de destruir.

Isso é assim porque há uma relação interna entre cuidar e lembrar: a memória faz parte, é constitutiva, da noção de cuidado. Mas a noção de cuidado não é constitutiva da noção de memória.

O amor é uma forma de cuidado. Logo, lembrar é constitutivo do amar.

(Anotações a partir de Margalit, Ethics of Memory, cap. 1.)

Roubado de Antiindividualismo e memória: pesquisa sobre a retenção e a reconstrução de conteúdos mentais adquiridos no passado

Leave a comment

Filed under Care, Ethic of memory, Margalit, Memory, Philosophy

Memória

12AngryManEsse é nosso destino: amor sem conta, distribuído pelas coisas pérfidas e nulas, doação ilimitada a completa ingratidão, e na concha vazia do amor a procura medroza, paciente, de mais e mais amor (Carlos de Andrade)

Todo aquele que ingressa na busca de si recorre a memórias que lhe darão um fio condutor, uma base sólida para a edificação de seu EU.

Meu caso, por exemplo, relaciona-se com a idéia de desafio. Este estranho desejo, contudo, como todo desejo, é impulsionado ao infinito. Viciei-me no desafio. De tal forma que mais não era necessário vencer, o importante era o desafio.

Quando criança, dentre os maiores desafios estava o que se relacionava com o maior interdito: a mentira. Mentir é algo negado porque ele relaciona-se em oposição a uma virtude: a honestidade. Mentir é errado porque é um vício, assim como o desejo e, assim como todo vício, precisam ser suprimidos (até porque, enquanto negatividade, ou melhor, ausência, os vícios não possuem existência própria e, portanto, não podem protagonizar, caracterizar um EU: não se é mau em si, se é mau porque não se é bom). Continue reading

1 Comment

Filed under Anguish, Challenge, Childhood, Literature, Memory, Mother, Poetry, Quotes, Self