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O que é metafísica? – Heidegger

Heidegger “Que é metafísica?” — A pergunta nos dá esperanças de que falará sobre a metafísica. Não o faremos. Em vez disso, discutiremos uma determinada questão metafísica. Parece-nos que, desta maneira, nos situaremos imediatamente dentro da metafísica. Somente assim lhe damos a melhor possibilidade de se apresentar a nós em si mesma.

Nossa tarefa inicia -se com o desenvolvimento de uma interrogação metafísica, procura, logo a seguir, a elaboração da questão, para encerrar-se com sua resposta .

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Identidade

Chego um dia em minha casa e não sou mais o mesmo, ponto. Meu cheiro mudou, minha cor mudou, meu cabelo mudou e, principalmente, minha mente mudou.

A infinita questão que impulsionou toda filosofia ocidental, o critério de identidade, que vai desde os pré-socráticos até hoje (afinal, que raios de coisa dá, e se é possível que algo dê este critério) estava, de súbito resolvida.

Porém, enquanto questão metafísica, não se resolvia, uma vez que, como bons pensadores, metafísicos unem lógica e ética de tal forma que costumam, no mais das vezes, realizarem cálculos de ação. A questão metafísica não se resolvia porque a proposição de que eu, em T1, era diferente de meu eu, em T2, era somente sentida, era uma crença… ou seja, poderia não ser verdade.

Neste momento, assim como Gregor Samsa (A Metaformose, Kafka), eu tinha certeza do que era, mas, porém, sem saber (!). Então, com minha mente calculante, restam-me duas possibilidades, pelo menos: ou eu passo a acreditar nesta certeza, e a torno verdade ou, o que metafisicamente dá no mesmo, eu a refuto, tornando àquela outra proposição verdadeira. Dá no mesmo metafisicamente porque é um terreno extra mundano, lógico, e não histórico.

Ou acatar, as novas proposições, meu novo eu, implicam em uma mudança, talvez radical, de atitude, inclusive em uma negação do que eu ERA; ou, negar esta certeza, nego também tudo que sinto, em função de um EU que talvez nem mais exista.

De um lado temos um EU que se crê e que TALVEZ exista e, de outro, um EU que se VIVEU e que UM DIA existiu.

De certo modo, podemos arriscar e, nesta aposta, encontrarmos um infinito vazio, talvez um terceiro EU que nem tinha aparecido até então e que pede lugar; ou descobre-se que a certeza do eu anterior era um artifício do gênio enganador e aquele antigo eu sempre existiu ali é seu dever assim permanecer ou, em último caso, o novo eu é manifestação verdadeira, portanto, espelho da nova identidade que surge e, portanto, qualquer ruptura não só pode mas, também, deve ser feita.

Talvez, estas respostas, não tenham cunho metafísico algum, somente histórico e, por isto, façam parte do tempo, da vida e, da solidão.

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Sombra e destino

“EU não sou o EU, nem sou o OUTRO
sou qualquer coisa de INTERMÉDIO”
Mário de Sá Carneiro 

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Mundo e espetáculo

ensaio cubista - daruich hilal

Todo ser moral é um ser racional, e é irracional contemplar passivamente uma injustiça que esteja ocorrendo e possa ser evitada. Em tais casos é preciso intervir, e a única coisa que impede um ser racional de intervir ante uma violência é a necessidade — não a vontade — de proteger-se do mais forte (como nos diz Rousseau no Contrato Social 1.3). Mas a força não gera direito, e, tão logo pode, o ser racional faz o que deve, intervindo ante as injustiças.

Há circunstâncias nas quais é legítimo contemplar sem intervir. Nessas situações, típicas do teatro, as falas são colocadas entre aspas, o mundo é colocado entre parêntesis.

Ando pela rua, e logo adiante é encenada uma peça de teatro de rua. Sei que é uma peça pela entonação da voz dos atores, pelos seus movimentos corporais, pela sua maquiagem, pelos elementos cênicos, pelas armas cenográficas que empunham. Tudo isso são marcadores claros que me permitem averiguar que o ator que diz que está morrendo não precisa de ajuda, pois está apenas citando as falas do seu personagem. Esses indicadores me garantem que sou platéia de uma peça teatral, não testemunha de atos de injustiça.

Sem tais marcadores, sem algum meio de averiguar que se trata de uma peça, seria irracional comportar-se de maneira distanciada, contemplando esteticamente os atos de violência que por ventura se dessem na peça. Eis porque é típico do teatro, e da arte em geral, marcar claramente as “aspas” ou “parêntesis” que permitem ao ser racional relaxar e contemplar, ao invés de entender e agir.

Não só a arte demarca cuidadosamente o domínio da contemplação, distinto do domínio da ação. Descartes, na “Primeira Meditação” e em diversos outros lugares da sua obra, deixa muito claro que o domínio da dúvida radical não é o domínio da vida, pois nesse domínio cabe agir, não distanciar-se. Nada mais distante de Descartes do que a idéia que a vida é um sonho.

Fora dessas circunstâncias onde se deixa muito claro que a contemplação é legítima, a passividade ante a visão de uma injustiça é racional e moralmente inaceitável. Se você ouve gritos, vai à janela e presencia um estupro, na ausência de coação física não há nada que justifique uma atitude contemplativa. Seria diferente se você estivesse no cinema e o estupro ocorresse na tela, e a diferença está em que a vida não é um espetáculo.

Da mesma maneira, se você compreende que a estrutura da sua sociedade é injusta, e você tem os meios de modificar essa estrutura, é irracional que você não o faça. Notar uma injustiça social e tomar uma atitude distanciada ante a mesma é irracional, pois a injustiça é um estado do mundo, não um ato de uma peça teatral. Ante o mundo um ser racional age tendo o bem, a verdade e a justiça como objetos formais da sua consideração, e ele só poderia deixar de agir dessa maneira caso estivesse ante um mero espetáculo teatral, não ante o mundo.

* * *

Este texto foi inspirado em idéias de Arthur C. Danto em A Transfiguração do Lugar-Comum, e me beneficiei de discussões com Marden Müller.

Texto retirado de crônicas metafísicas Site bem interessante, com uma série de textos de cunho filosófico. Mais sobre o blogueiro na barra ao lado: César Schirmer.

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