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A IDÉIA DE HISTÓRIA NATURAL – Theodor Adorno

A IDÉIA DE HISTÓRIA NATURAL(1)

Theodor W. Adorno2

Talvez posso antecipar que a minha fala não é uma “exposição” em sentido próprio, nem uma comunicação de resultados ou uma elaboração sistemática conclusiva, e sim algo que se situa no plano do ensaio, como um esforço de acolher e levar mais longe a problemática da denominada discussão frankfurtiana. Sou consciente do quanto se aborda mal essa discussão, mas também de que seu ponto central está corretamente colocado, e seria falso começar novamente tudo do princípio. Continue reading

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Jonh Cage – 4’33”

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Sombra e destino

“EU não sou o EU, nem sou o OUTRO
sou qualquer coisa de INTERMÉDIO”
Mário de Sá Carneiro 

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Circularidade e progresso: Nietzsche e Kundera contra a história.

 Van Gogh - Caminho com Choupos

Milan Kundera, em seu A insustentável leveza do ser (The Unbearable Lightness of Being -Nesnesitelná lehkost bytí; 1984) inicia comentando a idéia do Eterno Retorno em Nietzsche: ‘pensar que um dia tudo vai se repetir tal como foi vivido e que essa repetição ainda vai se repetir indefinidamente’.

Essa estranha, ou mesmo insensata idéia, retoma o que tem de mítico em nossas vidas, uma vez que nega a história e a idéia de progresso. Mas isto não é tudo! Ela, é, acima de tudo, uma teoria moral que faz com que nossas ações passem para o mundo da infinitude e circularidade, não da finitude e progressão. Saídos deste ‘mundo fundado essencialmente sobre a existência do retorno, pois nesse mundo tuto é perdoado por antecipação e tudo é, portanto, cinicamente perdido’. Por isso que o inferno, na mitologia cristã, ocupa este papel.

O inferno é a repetição, repetição cruel que não se perde na história, que não é esquecida, que não depende de memória e que, como é erro ad infinitum,  não dá espaço para o perdão.

Aqui, fica óbvia pelo menos uma diferença, distinção entre o modo de vida dos povos ditos selvagens e o nosso: o perdão se constitui na história, no esquecimento da existência de um mal; por outro lado, o perdão não existe, porque o mal assola a todos na presença de um deus que personifica e não esquece.

De um lado, o mal é ausência de bem, de outro, o mal é tão presente quanto o bem.

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Ismael; III, 3

“Essa história (continuou Ismael) aconteceu há meio bilhão de anos — uma época inconcebivelmente distante, quando este planeta teria sido totalmente irreconhecível para você. Nada se mexia sobre a terra, a não ser o vento e a poeira. Nenhuma folha balançava ao vento, nenhum grilo saltava, nenhum pássaro planava no céu. Tais seres ainda esperariam dezenas de milhões de anos para nascer. Até mesmo os mares eram sinistramente imóveis e silenciosos, pois os vertebrados também esperariam milhões de anos para nascer.

Mas é claro que havia um antropólogo de plantão. Que seria do mundo sem os antropólogos? Mas esse antropólogo estava muito deprimido e desiludido, pois havia percorrido todo o planeta procurando alguém para entrevistar e as fitas que carregava na mochila continuavam vazias como o céu. Mas um dia enquanto andava desanimado à beira do oceano, pensou ter visto uma criatura viva nas águas rasas próximas à margem. Não era lá grande coisa, apenas uma espécie de bolha, uma água-viva. Mas, como era a única perspectiva que encontrara em todas as suas viagens, avançou pela água rasa até onde a criatura balançava ao sabor das ondas.

Trocaram saudações cordiais e logo já eram bons amigos. O antropólogo explicou como pôde que estudava estilos de vida e costumes, solicitou tais informações de seu novo amigo e foi prontamente atendido.

— E agora — concluiu o antropólogo — gostaria de gravar, em suas próprias palavras, algumas histórias que contam entre vocês.
— Histórias? — estranhou a bolha.
— Sim, como o mito da criação, se é que o têm.
— O que é o mito da criação?
— Ah, você sabe — respondeu o antropólogo. — As lendas fantásticas que contam a seus filhos sobre a origem do mundo.
Ao ouvir isso, a criatura se empertigou com indignação — ou pelo menos do modo que uma bolha inchada consegue fazê-lo — e respondeu que seu povo não tinha lenda fantástica nenhuma.
— Quer dizer que não explicam a criação?
— Certamente que explicamos a criação — declarou a bolha. — Mas seguramente não é um mito.
— Não, com certeza não — concordou o antropólogo, finalmente se lembrando de seu treinamento. — Ficaria imensamente grato em ouvir essa explicação.
— Muito bem — admitiu a criatura. — Mas quero que entenda que, como você, somos um povo estritamente racional e não aceitamos nada que não se baseie em observação, lógica e método científico.
— Claro, claro — tornou a concordar o antropólogo.
A criatura enfim começou seu relato.
— O universo surgiu há muitos e muitos anos, talvez há dez ou quinze bilhões de anos. Nosso sistema solar (esse astro, este planeta e todos os outros) veio a existir há cerca de dois ou três bilhões de anos. Durante muito tempo, não houve nenhuma forma de vida aqui. Mas então, depois de um bilhão de anos, surgiu a vida.
— Perdão — interrompeu o antropólogo. — Disse que a vida surgiu. Onde isso aconteceu, segundo seu mito… quero dizer, segundo sua explicação científica? Aturdida com a pergunta, a criatura empalideceu.
— Quer dizer, em que local especifico?
— Não, quero saber se aconteceu na terra ou no mar.
— Terra? — estranhou a bolha. — O que é isso?
— Você sabe — disse o antropólogo, acenando na direção da margem. — A extensão de terra e pedras que começa ali.
A criatura ficou mais pálida ainda e retrucou:
— Não faço idéia de que tolice está falando, A terra e as rochas que estão ali são apenas a borda da imensa bacia que contém o oceano.
— Sim, entendo o que está dizendo — disse o antropólogo. — Perfeitamente. Continue.
— Muito bem. Durante milhões de séculos, os únicos seres que existiam no mundo eram microorganismos flutuando ao léu num caldo químico. Mas, aos poucos, formas mais complexas apareceram: criaturas unicelulares, fungos, algas, pólipos e assim por diante. Mas, finalmente… — disse a criatura, corando de orgulho ao chegar ao ápice da narrativa, — Mas, finalmente, a água-viva apareceu.”

(QUINN, Daniel)

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O homem e a filosofia

Por vezes, filosofia parece sintonizar-se com o homem. Não um homem em particular, mas com O homem, com uma espécie de ideal transcendental, que domina, julga, critica e destrói. Ela caracteriza-se, deste modo, a seduzir e consumir, seguindo em frente.

Esta reflexão carrega consigo algo de temerário.

O homem, assim como a filosofia, quando acreditam que o mundo é seu berço, que o fim da evolução é que garante seu destino e que, portanto, o mundo e a vida estão para renderem-se aos seus atos; este pensamento encontra em si a glória na medida da ruína.

Aquiles escolheu vida curta e gloriosa, portanto imortal, em oposição a monotonia e duração que a eternidade pode trazer.

Se a analogia carrega, consigo, pelo menos, um pouco de verdade, carrega consigo, também, os opostos daquela caracterização: o feminino, o natural e o eterno.

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Daniel Quinn – Ismael

O autor

Daniel Quinn nasceu em Omaha, Nebrasca, em 1935. Estudou na Universidade de St. Louis, na Universidade de Viena e na Universidade Loyola de Chicago. Em 1975, Quinn abandonou uma longa carreira de editor para tornar-se escritor free lance.
A primeira versão do livro que veio a ser Ismael — seu livro premiado — foi escrita em 1977. Seguiram-se seis outras versões até o livro encontrar sua forma final, como ficção, em 1990. Quinn passou a aprofundar as origens e experiências de Ismael numa autobiografia altamente inovadora, com o título: Providence — The Story of a Fifty Year Vision Quest.
A respeito de sua nova obra de ficção, Quinn escreveu: “Durante anos, preocupei-me com a possibilidade de jamais igualar — muito menos ultrapassar — o que consegui em Ismael. Essa dúvida apagou-se, para mim, com A História de B. Ismael certamente aprovaria esse livro”.

Download Ismael

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