Category Archives: Sociology

A arte não compensa – Juremir Machado

Finalmente se sabe o que significa Bric, a sigla que contempla Brasil, Rússia, Índia e China como emergentes. Quer dizer Baixaria, Roubo, Impunidade, Corrupção. Os quatro países do futuro aparecem neste presente sem glória entre os campeões de suborno num ranking da Transparência Internacional. É aquela história do sujeito que cometeu uma pequena infração de trânsito e ouviu da autoridade competente: ‘Existem 50 maneiras de corrigir esse tipo de erro’. Ou daquele outro, acostumado a lidar com gente rápida no gatilho, que, pego em situação ‘desagradável’, disparou primeiro: ‘Negociação é tudo’. Ouviu o que desejava: ‘Eu não estou aqui para julgar’. Continue reading

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Notas de Leitura: “O Mozart de Elias”

Elias, Norbert.   Mozart : sociologia de um gênio.  Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1995, c1994. 150 p.

Sinopse: O livro traz à tona um Elias apaixonado por música. O cientista social aplica seu enorme poder de percepção a este caso de conflito trágico entre criatividade pessoal e uma sociedade que queria controlá-la. Na opinião de Elias, a música é indissoluvelmente ligada ao tipo de sociedade e à época em que ela é produzida. A obra apresenta, assim, uma bela descrição do relacionamento arte-sociedade no século XVIII, a partir do brilhante estudo sobre a vida e o gênio criativo de Wolfgang Amadeus Mozart. Continue reading

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A ATUALIDADE da FILOSOFIA – Teodor Adorno

A ATUALIDADE da FILOSOFIA (1)

Theodor W. Adorno

Quem hoje em dia escolhe o trabalho filosófico como profissão, deve, de início, abandonar a ilusão de que partiam antigamente os projetos filosóficos: que é possível, pela capacidade do pensamento, se apoderar da totalidade do real. Nenhuma razão legitimadora poderia se encontrar novamente em uma realidade, cuja ordem e conformação sufoca qualquer pretensão da razão; apenas polemicamente uma realidade se apresenta como total a quem procura conhecê-la, e apenas em vestígios e ruínas mantém a esperança de que um dia venha a se tornar uma realidade correta e justa. A filosofia, que hoje se apresenta como tal, não serve para nada, a não ser para ocultar a realidade e perpetuar sua situação atual. A Continue reading

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TEORIA DA SEMICULTURA* – Theodor Adorno

O que hoje se manifesta como crise da formação cultural não é um simples objeto da pedagogia, que teria que se ocupar diretamente desse fato, mas também não pode se restringir a uma sociologia que apenas justaponha conhecimentos a respeito da formação. Os sintomas de colapso da formação cultural que se fazem observar por toda parte, mesmo no estrato das pessoas cultas, não se esgotam com as insuficiências do sistema e dos métodos da educação, sob a crítica de sucessivas gerações. Reformas pedagógicas isoladas, indispensáveis, não trazem contribuições substanciais. Poderiam até, em certas ocasiões, reforçar a crise, porque abrandam as necessárias exigências a serem feitas aos que devem ser educados e porque revelam uma inocente despreocupação frente ao poder que a realidade extrapedagógica exerce sobre eles. Igualmente, diante do ímpeto do que está acontecendo, permanecem insuficientes as reflexões e investigações isoladas sobre os fatores sociais que interferem positiva ou negativamente na formação cultural, as considerações sobre sua atualidade e sobre os inúmeros aspectos de suas relações com a sociedade, pois para elas a própria categoria formação já está definida a priori. Continue reading

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A FILOSOFIA E OS PROFESSORES – Theodor Adorno

Meu objetivo é falar a respeito da prova geral de filosofia dos concursos para a docência em ciências nas escolas superiores do estado de Hessen, Alemanha, O que constato há onze anos nessas provas deixa-me apreensivo em relação a sua finalidade, no que diz respeito a uma incompreensão de seu sentido. Além disto refleti acerca da mentalidade dos examinandos. Creio que consigo sentir o mal-estar dos mesmos em relação à prova; alguns duvidam de seu sentido. Penso na necessidade de falar acerca do assunto porque o resultado da prova depende ele próprio muitas vezes das situações com que me deparei e, de que nem sempre o candidato tem consciência. É incorreta a postura de um examinador que não procura ajudar a fundo aqueles que deve avaliar, mesmo que sua ajuda não seja tão inocente assim. Assumo a responsabilidade por minhas palavras sozinho, mas muitos de meus colegas concordarão comigo; e sei que especialmente Horkheimer partilha as minhas conclusões. Contudo certamente haverá muitos candidatos para quem meus temores são injustificados. Continue reading

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The Present Situation of Social Philosophy and the Tasks of an Institute for Social Research – Max Horkheimer 1931

Written: in German in 1931;
Source: Between Philosophy and Social Science. Selected Early Writings Max Horkheimer, MIT Press 1993, 425pp, pp. 1-14 reproduced here;
Translated: by John Torpey;
Transcribed: by Andy Blunden 2006.


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The Social Function of Philosophy – Max Horkheimer 1939

Written: in English in 1939;
Source: Critical Theory. Selected Essays Max Horkheimer, published by Continuum 1982;
Public Domain: this article is free of copyright;
Transcribed: by Andy Blunden.


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28a Bienal de São Paulo – Projeto: “Em vivo contato”

conferencia-peq.jpgA 28a Bienal de São Paulo, que ocorrerá em outubro deste ano, terá a curadoria de Ivo Mesquita, curador da Pinacoteca do Estado de São Paulo. A fundação, que um ano antes de cada edição abre, publicamente, um edital para ingresso de propostas, escolheu o “Em vivo contato” para ser efetivado. Abaixo, a proposta.

Link da fundação: http://bienalsaopaulo.globo.com/fundacao/index.asp Continue reading

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A noção de representação em Durkheim – Fernando Pinheiro Filho

300px-robertfuddbewusstsein17jh.pngRESUMO

O propósito do artigo é investigar a gênese e a construção da noção durkheimiana de representação, de sua origem no neocriticismo francês à incorporação numa sociologia do conhecimento capaz de resolver os impasses implicados na epistemologia kantiana.

Palavras-chave: Émile Durkheim; organização; epistemologia kantiana.

ABSTRACT

This paper presents an analysis of Durkheim’s concept of representation, tracing its origin to the French neocriticism. Durkheim incorporates the concept into a sociology of knowledge that aims at solving the shortcomings of Kantian epistemology.

Keywords: Émile Durkheim; representation; Kantian epistemology.

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Cerveja, masculinidade e disputa social

Recentemente, a cerveja portuguesa TAGUS cogitou o lançamento de uma campanha intitulada ‘Orgulho hétero’:

Cartaz Orgulho Hétero

“A TAGUS, cerveja puro malte, criou uma nova campanha publicitária que tem como conceito o orgulho heterosexual. (…)
Esta supreendente campanha também originou a criação de um novo site Tagus: http://www.orgulhohetero.com, onde a marca pretende desenvolver este conceito e promover o convívio entre jovens do sexo oposto.

O site do orgulho da TAGUS vais ser a porta de entrada num mundo hetero. Aqui o consumidor poderá encontrar uma (ou várias) possível caras-metade e flirtar com ela. A ideia deste site é construir uma pequena comunidade virtual o HI Hetero constituindo uma forma simples de conhecer pessoas do sexo oposto. Para além desta area mais lúdica, neste site os interrnautas podem ficar a par de todas as novidades da marca TAGUS, descobrir novas verdades dedicadas ao Orgulho Hetero e comprar merchandising Hetero.”

O protagonista da minha descoberta foi o colectivo feminista que, por sua vez, performatizou uma contra-campanha da qual eu só coloco uma imagem para dar uma idéia:

Orgulho Macho

A resposta me faz lembrar o livro de Norbert Elias escrito com John Scotson, Os Estabelecidos e os Outsiders (The Estabilished and the Outsiders: A sociological Enquiry into Community Problems, 1965). Afinal, qual é a justificativa  para que se critique esta ação heterossexual?

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