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Memória, desejo, Mecânica

Ao observar seu rosto no espelho, verifica o cabelo.
Verifica a barba e imagina se, de fato, está bonito. Ou, já que nunca achou-se digno, possuidor, de beleza; verifica se está… apresentável.

É natal: “E, ela só não me deu um pé-na-bunda, naquele dia, só porque eu lhe dei um belo presente. Assim, ela esperou mais algumas horas, após a festinha, esperou o amanhecer, esperou o almoço passar, esperou que eu acordasse. Fez questão de ligar e, em 15 minutos, tinha terminado tudo. Ainda lembro o vazio que ela me jogou: odeio lembrar do vazio.” Continue reading

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Carta desesperada #7040

Foi como um mergulho. Profundo, daqueles que a gente fica azul, fica sem ar, quase se desespera (desesperaria se não estivesse fingindo), mas sempre tem a volta: a gente sempre volta.

Por mais fundo que se vá, por mais fundo que eu já tenha ido, por mais fundo, sempre tem volta. ou não? a gente acredita, pelo menos. porque acredita? eu não sei, mas acredita. a gente mente, mente prá si e pros outros, mas, em alguma hora, a gente acredita.

Talvez porque saiba que, se não acreditar, se só mentir, se não voltar… afoga.

[em memória de Cácio Gabriel]

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Entre eu e eu mesmo – o GRANDE e o pequeno

Pessoas grandes possuem a estranha sensação de não caberem nos lugares determinados. Parecem sempre estarem fora do lugar… Pessoas pequenas também: é engraçado, por exemplo, vê-las balançar os pés, longe do chão, quando sentadas. Continue reading

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Tortei de Abóbora

Massa

600 gr. de farinha de trigo
6 ovos

Recheio
1 kg. de abóbora tipo japonesa
Queijo parmesão ralado
Pão amanhecido ralado
Salsa e cebolinha picadas
Noz-moscada ralada
sal

Recheio

1 – Cozinhe a abóbora com casca em pouca água, sem deixá-la muito mole;
2 – Descasque, amasse a polpa com um garfo e junte o queijo, até obter uma massa homogênea;
3 – Misture o pão ralado para dar liga, sem deixar a massa endurecida. Tempere com a salsa, cebolinha, noz-moscada e sal.

Massa e Tortei

1 – Coloque a farinha sobre a mesa, faça uma depressão no centro e coloque os ovos. Misture e amasse bem com as mãos, até obter uma massa lisa e homogênea;
2 – Cubra com um pano de algodão e deixe descansar por 20 minutos. Abra a massa, com rolo ou máquina, em folhas finas;
3 – Disponha montinhos de recheios ao longo da folha, deixando uma boa distância entre eles. Cubra com outra parte da folha, feche bem as bordas e corte com um cortador de massa, em retângulos grandes;
4 – Cozinhe em abundante água fervente salgada, por aproximadamente, quatro minutos;
5 – Escorra, polvilhe queijo ralado, cubra com o molho e sirva quente.

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O século de Deleuze – Eduardo Coelho

«Há pouco mais de dez anos, estava eu em Paris, na noite da minha casa no Marais, semiadormecido no sofá em frente da televisão, e de súbito o telefone tocou. Era uma rádio de Lisboa e pediam que comentasse a morte de Gilles Deleuze, o seu suicídio, em que se libertou da máquina de oxigénio a que vivia preso e se lançou pela janela. Estávamos em 4 de Novembro de 1995. Nesse mesmo ano, o Arte começara a transmitir o Abecedário de Deleuze, no qual este escolhia certas palavras para falar da vida, dos animais, da filosofia (lembro-me, por exemplo, das suas palavras sobre a “maldade” dos wittgensteinianos). Era a mais longa e dispersa das entrevistas, realizada com a cumplicidade de Claire Parnet (com quem Deleuze fizera em 77 o livro Dialogues, a melhor introdução à sua obra). No contrato inicial, tratava-se de um documento para ser divulgado depois da sua morte, mas Deleuze, considerando que a vida que ainda vivia estava mais perto da morte do que da vida, autorizou que ele passasse na televisão. É claro que os jornalistas eram extremamente sensíveis à questão do suicídio. Mas o seu significado continha uma afirmação solar, não um gesto nocturno. Ninguém pode ver nesta morte uma dimensão negra e destrutiva. De certo modo, Deleuze estava inteiramente presente naquilo que nele era a intensidade da vida: a imanência – uma vida, assim se intitulava quase enigmaticamente o seu último texto. Porque a obra ainda anunciada sobre a “a grandeza de Marx” não chegou a ver a luz do dia. Nunca conheci Gilles Deleuze. Vi-o apenas duas vezes. Uma foi na Grande Sala do Centro Pompidou, num debate sobre o Tempo musical. Estavam também presentes Pierre Boulez (a organização era do Ircam), Michel Foucault, Roland Barthes, Luciano Berio. Tudo isto tinha lugar em 20 de Fevereiro de 1978. A segunda vez já não sei quando foi: recordo apenas que num sábado à tarde vi Deleuze percorrendo as estantes de uma livraria que fica em frente da Sorbonne, na Rue des Écoles. Confirmei aquilo que já sabia e que sempre me deixara perplexo nas fotografias: as unhas encurvadas de tal modo estavam crescidas. Deleuze explicava que uma hipersensibilidade na ponta dos dedos o levava a proteger-se daquele modo. Dez anos depois da sua morte, surgem múltiplas iniciativas. Entre nós, o incansável Nuno Nabais organizou uma jornada com comunicações e leituras, no auditório do Instituto Franco-Português. Em França multiplicam-se as publicações. A difusão internacional de Deleuze foi sempre prejudicada pelo seu ódio às viagens e pela sua reserva em relação aos debates nos colóquios. Só agora começam a proliferar as traduções. Em Portugal saliente-se a publicação dos dois magníficos livros de Deleuze sobre cinema na Assírio e Alvim. Noutro dia, na televisão, nas Páginas Soltas de Bárbara Guimarães, alguém propunha a obra O Fio da Navalha de Somerset Maugham e comparava a sua legibilidade com a “chatice” de autores franceses como Gilles Deleuze. Era o mesmo que comparar um elefante com uma formiga. Como filósofo, Deleuze sempre foi um escritor admirável que se lê com um prazer desmedido: se a filosofia tem a ver com a felicidade, é isso que aqui acontece. Leitor admirável (de Spinoza ou de Leibniz), Deleuze tem livros extraordinários sobre a pintura (em particular, Francis Bacon), o cinema (páginas luminosas sobre inúmeros autores, entre eles Oliveira), a literatura (Proust, Melville ou Kafka). E deu-nos um exemplo de uma escrita em comum (publicou vários livros com Félix Guattari). Existe uma admiração que tece um espaço virtual de amizade. Quando naquela noite de Novembro falei ao telefone sobre a morte de Deleuze, eu sentia que uma amizade nos prendia na teia sempre improvável dos encontros.»

* por Eduardo Prado Coelho, publicado no Público sob o título “O século de Deleuze”: Link aqui

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Nietzsche’s doctrine of eternal recurrence – Karl Löwith

In this article, Karl Löwith makes his own interpretation about the nietzsche’s doctrine of eternal recurrence. Löwith presents two faces of nietzsches philosophy “an exoteric an esoteric aspect the one called Neopaganism and the other Eternal recurrence”

Link: http://www.jstor.org/stable/pdfplus/2707291.pdf

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Nietzsche e Kundera põe o “mais pesado dos pesos”

 

RESUMO

A doutrina do eterno retorno, apresentada por Nietzsche, respectivamente, nas obras Gaia Ciência, Assim Falou Zaratustra e Além do Bem e do Mal parece conter tanto um sentido ético quanto um sentido cosmológico. Assim, apostar na suposição de que o mundo seja repetição infinita de variações finitas, o filósofo também estaria apostando na idéia da circularidade da vida em oposição à linearidade desta: viver o eterno retorno implica afirmar a vida aceitando o destino, sendo assim, rompendo com a idéia de uma possível transcendência para além do aqui e agora do mundo. Por outro lado, esta mesma idéia é apropriada porém, em um contexto bastante diferente, a saber, o contexto estético da obra de Milan Kundera, A insustentável leveza do ser. A apropriação de Kundera visa, por sua vez, afirmar a singularidade de cada ação, uma vez que estas são impulsionadas por sentimentos e impulsos e não por imperativos éticos transcendentes. O presente trabalho pretende, então, realizar uma leitura comparativa entre os dois autores, buscando, assim, iluminar tanto a obra filosófica quanto a obra literária.

 

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